Livro para o Mês de Outubro de 2009
Apresentamos aqui o livro do Clube de Leitura para o mês de Outubro de 2009:
“Debaixo do Vulcão” de Malcolm Lowry
O Cônsul não estava realmente a falar. Pelo menos, não parecia que estivesse. Não articulara uma palavra que fosse. Era tudo uma ilusão, um redemoinhante caos cerebral do qual, saiu por fim, nesse mesmo instante, bem ordenado e completo, o seguinte:
- O acto de um louco ou de um bêbedo, camaradão - disse - ou o de um homem submetido a uma violenta excitação parece menos livre e mais inevitável para aquele que conhece a condição mental do homem que praticou a acção, e mais livre e menos inevitável para aquele que a não conhece.
“Debaixo do Vulcão” é um romance com características autobiográficas, escrito pelo inglês Malcolm Lowry em 1947, inspirado no período em que viveu no México com a sua esposa, 11 anos antes. Aborda a história do ex-cônsul Geoffrey Firmin, no seu último dia na fictícia Quauhnahuac (inspirada em Cuernavaca), no México, que coincide com as comemorações do Dia dos Mortos. Quando Lowry escreveu ao seu editor afirmando que tinha a convicção de que “Debaixo do Vulcão” iria ser um livro verdadeiramente bom, estava longe de imaginar o real impacto desta obra, livro que o consagraria como escritor e que seria considerado como uma das obras literárias mais importantes do século XX. Tudo o que tem a ver com o livro é motivo de evocações e romarias por parte dos seus leitores mais entusiastas, vindos de todo o mundo para visitar o méxico, deambular pelas ruas de Cuernavaca, entrar nas suas cantinas e experimentar algumas das 77 bebidas alcoólicas diferentes consumidas pelo ex-cônsul e restantes personagens, naquela que é uma das mais desesperadas e etílicas narrativas de todos os tempos.
De início, o romance foi descaradamente autobiográfico, fruto e reflexão do México e das experiências que aí teve, desde os decadentes jardins de Cuernavaca e as cantinas onde podia afogar-se em mescal por alguns pesos, até ao terrível episódio da prisão e ao delirium tremens em Oaxaca, depois de ter sido abandonado pela mulher. Uma descida aos infernos fielmente registada, porque mesmo nos seus piores momentos, Lowry nunca se renunciou a escrever, a reflectir sobre o papel a incrível realidade. Ao final da escrita do livro, a sua experiência mexicana havia-se tornado num monumento barroco de profundas ressonâncias simbólicas.

Bom dia, escrevo ao autor do blog. O meu nome é Hugo Coelho e sou aluno universitário. Estou a fazer um trabalho sobre actividades culturais alternativas, entre as quais, clubes de leitura. Gostaria de saber mais sobre este site, e sobre este fenómeno dos clubes de leitura, e também sobre as intenções e motivações para aderir a este tipo de iniciativas. Se puder colaborar, deixo aqui o meu email, para que me possa contactar. Muito obrigado.