Livro para o Mês de Julho de 2009
Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Julho:
“O Caderno do Algoz” de Sandro William Junqueira
Publicado pela Editorial Caminho, o livro de Sandro William Junqueira, nascido em 1974 na Rodésia (hoje Zimbabwe), passa-se intencionalmente “num território desenquadrado”, não-identificado, como o autor indicou, e tem como personagens um carrasco (guarda prisional, que regista pensamentos e acontecimentos), um coveiro que sofre de conjuntivite crónica e não sabe rezar, um inspector que acredita em Deus e exerce o poder que detém, um anão que sofre de mau hálito e é o braço esquerdo (não o direito) do inspector e um inspector-adjunto que é estrábico e praticante de Yoga.
Há ainda um cão, vagabundo e amigo, que “preconiza um milagre”, um escritor que é condenado, um velho que “sabe o crime e o milagre” e “conhece como ninguém as leis do borboto”, um anjo (que, ao cair na terra, concretiza o seu desejo), um menino, uma mulher (mãe do menino e ex-mulher do algoz), um peixe que vive num aquário em casa do algoz, e a Primavera, a estação climática em que se passa a acção, marcada pela chuva e pelo vento.
É um romance de montagem do inconsciente: fragmentos de uma arquitectura humana, urbana e emocional. Nele encontramos um espaço/cidade/estado sem referências geográficas, temporais, históricas ou políticas. Há personagens que o habitam e se cruzam. Guiados por pontos cardeais: norte, sul, este, oeste. E reféns de uma única estação climática: primavera com chuva e vento. O encadeamento narrativo não obedece a uma estrutura linear. Mas, também, não é uma analepse consciente e planeada. É como se a cabeça que narra os acontecimentos tivesse sido acometida por uma amnésia súbita. E o que surge na memória na pós-amnésia são estilhaços e que o passado e o presente se confundem.
Sandro William Junqueira nasceu em 1974 em Umtali na Rodésia. Em 1976 volta para Portugal. Em 1986 foi viver para Portimão. Em 1998 começa a trabalhar como designer. Em 1999, juntamente com Paulo Quaresma, funda o grupo de teatro A GAVETA. Desde aí, trabalha como responsável artístico, encenador e actor. A partir de 2002, publica com regularidade poesia e contos em revistas e fanzines. É regularmente convidado para dizer poesia em recitais. Em 2007 inicia um trabalho regular em escolas e bibliotecas com a criação e interpretação de diversos ateliers e espectáculos vocacionados para a promoção do livro e da leitura. “O Caderno do Algoz”, publicado em 2009, é o seu primeiro romance.
É a primeira vez que visito o seu blog. Sou bibliotecária e gostava de ter um clube de leitura onde as pessoas se encontrassem para falar de livros. Se conhecer algum diga-me. Vou seguir a sua sugestão para o mês de Julho.