Livro para o Mês de Dezembro

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Dezembro de 2006:
“A Família” de Mario Puzo
Enquanto a implacável Peste Negra assolava a Europa, uma nova cultura começava a florescer nas cidades e o estudo das grandes civilizações clássicas iniciava uma época de esplendor para as artes, as letras e as ciências. Em Roma, a restauração de um único trono papal vaticinava uma nova etapa de poder e fausto do papado, mas ao mesmo tempo a corrupção ameaçava a Igreja. Altos mandatários eclesiásticos visitavam os bordéis e mantinham várias amantes, aceitavam subornos e negociavam com as bulas papais que perdoavam os pecados mais atrozes. Assim era a vida no Renascimento. Assim era o mundo de Alexandre VI, o Papa Bórgia, e dos seus filhos César, João, Lucrécia e Godofredo. Esta é a história, o retrato fascinante de uma família cuja ambição e sede de poder a levariam ao topo do mundo e a crónica do alto preço que pagaram por isso.
Mario Puzo nasceu em 1920 em Nova Iorque. Realizou o serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial e formou-se pela Universidade de Columbia. Foi autor de vários romances, entre os quais O Padrinho, que lhe trouxe o reconheceimento mundial. Escreveu vários guiões cinematográficos, o mais conhecido dos quais a trilogia O Padrinho, filmado por Francis Ford Coppola, que foi galardoado com dois Óscares. Mario Puzo faleceu no dia 2 de Junho de 1999, em Long Island. A Família, o seu último romance, é o resultado de um trabalho de mais de dez anos e foi publicado postumamente. Carol Gino, assistente pessoal e companheira de Mario Puzo durante muitos anos, trabalhou intensamente com o autor na preparação deste romance. Com a colaboração do historiador Bertram Fields, encarregou-se de rever e completar os capítulos que ficaram inacabados com a morte do autor.
Acabei de ler ontem esta obra fantástica de Mario Puzo.
Como o próprio autor confidenciou à sua companheira de longa data, não há dúvida de que os Bórgia foram realmente a primeira família mafiosa da história mundial.
O modo como não olharam a meios para concretizar os fins, a utilização que fizeram dos recusrsos ao seu dispôr de maneira a promover as vontades e o prestígio da própria família, as intrigas políticas por detrás da sociedade da época, com todas as suas contradições e perversões, é retratado de modo magistral pela mão de Mario Puzo.
No entanto, o modo como o autor retrata as personagens leva-nos a sentir alguma simpatia e compaixão pelas personagens. Alexandre VI aparece-nos como um pai zeloso, um amante das coisas da vida, dos prazeres terrenos, o que não abona muito a favor da sua castidade papal, mas não deixa de ser um homem da sua época. Lucrécia e César, os dois filhos mais marcantes de Rodrigo Bórgia, não deixam de provocar alguma compaixão pela impossibilidade de viver abertamente o seu amor proibido que nos é retratado de tal modo que praticamente nos esquecemos da natureza incestuosa da sua relação.
O retrato da época é realizado de modo bastante vivo, tendo sido muito interesante a forma como Mario Puzo colocou em interacção algumas das figuras mais marcantes da época, como Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo e Nicolo Maquiavel.
Gostei bastante.
Terminei hoje (19 de Março de 2007) a leitura de “A família”.
Sendo uma curiosa em relação aos Bórgia, já tinha lido uma biografia sobre Lucrécia.
Com algumas diferenças da dita biografia, inevitáveis, já que a obra de Puzo é um romance histórico, uma obra ficcionada em torno da verdade, e não só em torno de Lucrécia como figura central, creio poder afirmar, convictamente, que é absolutamente admirável este livro. Um retrato interessante de uma das grandes famílias italianas.
Cumprimentos
lua obscura, já era tempo de mais alguém colocar aqui os seus comentários aos livros propostos no Clube de Leitura. Fico à espera das tuas próximas contribuições. Cumprimentos!
Para Puzo, tenho apenas uma palavra, simplesmente – sublime – para caracterizar a forma como este imortaliza, séculos depois esta família.
Sinto um fascínio especial pela Itália Renascentista e em especial pela família Bórgia. Intriga-me a facilidade com que esta família e em especial Alexandre VI move o Mundo e o faz rodar à volta dos seus interesses.
Recomendo igualmente a leitura do livro “A Noiva Bórgia” de Jeanne Kalogridis, apenas pela curiosidade em constatar que factos históricos e ficção podem ser mesclados e o resultado final ser igualmente prodigioso.