Livro para o Mês de Novembro

Aqui se apresenta o livro do Clube de Leitura para o mês de Novembro de 2006:
“Jerusalém” de Gonçalo M. Tavares
Mylia sempre agarrou as coisas de uma forma diferente. Theodor procura a origem e regularidade do horror. Ernst, que conhece Mylia num manicómio, gostava de ali estar, simplesmente.
O jogo de vidas. Acaso ou destino, ironia ou lágrima, loucura ou sanidade, um livro sem portas fechadas, sem definições exactas. E muitos caminhos a fazer. Considerado um dos mais sólidos valores da literatura portuguesa, Gonçalo M. Tavares confirma-se exímio na subversão de lógicas. Habitam este livro pessoas que podemos apontar como loucas, ou nem tanto. O seu mundo é afinal o nosso, estamos lá, entre eles, tão ou mais assustados que as personagens.
Vencedor do Prémio LER/ millennium bcp no ano de 2004, e do Prémio José Saramago 2005, Jerusalém faz-nos mergulhar num estranho e proximo mundo de sentimentos e incertezas. Ligado à edição de “Um homem: Klaus Klump” e “A máquina de Joseph Walser”, o autor inclui este título na designação de Livros pretos. Tocando o desencanto, promete espicaçar algumas convicções de ordem. Perdidos entre acaso e o destino, entre deus e uma ausência deste, Jerusalém nada encerra, tudo deixa em aberto. Deambulando entre o ensaio e a ficção, a proposta de leitura implica algum desassossego.
Gonçalo M. Tavares nasceu em Angola, em 1970. Foi Bolseiro do Ministério da Cultura — IPLB com uma bolsa de Criação Literária para o ano 2000, na área de poesia. É professor de epistemologia na Faculdade de Motricidade Humana. Em Dezembro de 2001 publicou a sua primeira obra: Livro da dança. Recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso com a obra O Senhor Valéry e o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Investigações. Novalis. Está representado em antologias de poesia publicadas na Holanda e na Bélgica, e editado em revistas inglesas e americanas. Traduzido para italiano com um conto inserido na antologia «Racconti senza dogana» — «Jovens escritores para a nova Europa». No grupo OuLIPO (França) foi realizada, em 2003, uma leitura de algumas histórias de O Senhor Valéry.
Embora apenas tenha iniciado a edição da sua obra em 2001, Gonçalo M. Tavares apresenta vasta obra publicada, versando diversos géneros literários, da ficção à poesia, e ao ensaio, evidenciando-se como um dos escritores mais produtivos no actual mercado editorial português.
Acabei de perder todo o texto que tinha feito ainda à pouco para comnetar este livro!!!
Em menos palavras, aqui vai:
Gostei bastante e não me senti defraudado nas expectativas que contruí acerca desta obra e deste autor.
Grande Gonçalo M. Tavares! Continua assim que vais longe!
É um livro que entrelaça as histórias individuais de vários personagens, até construir-se um padrão onde as acções de uns acabam por ter efeitos marcantes na vida dos outros. Um livro onde ideias como a loucura, a marginalidade, o medo, a morte, são tratadas com grande mestria e onde as palavras são tratadas na medida certa.
Jerusalém é a promessa de um porto de abrigo para aqueles que se sentem alienados, perdidos, que podem aspirar a um lugar onde encontrarão a paz de um lar. Lugar de utopia, mas também lugar de desilusão, em que a viagem pelos mundos do interior tem tanto de esperançosa como de desesperante e trágica.
Grande livro, é tudo o que posso dizer!